Vou abordar quatro perfis de escola que se adaptam,
por sua vez, aos perfis das famílias.
O perfil controlador, permissivo, protetor e
educador.
As relações na comunidade escolar
nas escolas de perfil controlador costumam ser
hostis. Estando o controle numa posição
de destaque e sendo ele o elemento norteador
da convivência, o diálogo conta
pouco. Numa sociedade onde as pessoas estão
aprendendo, mesmo a trancos e barrancos, o exercício
da democracia, torna-se comum o atrito pela
falta de flexibilidade do sistema imposto. Essas
escolas estão conscientes de sua missão,
acreditam que fazem o melhor e que possuem a
verdade. Não há uma aceitação
de que outros pensem de modo diferente e que
poderiam contribuir com outros valores enriquecedores
desse processo de convivência.
O perfil controlador é também
burocrático e sonha com a organização
de manuais de procedimento de modo que todos
possam ser “enquadrados” e saberem,
de antemão, quais as sanções
para cada tipo de falta. A escola é uma
engrenagem e o que se espera dela é que
funcione como um relógio.
Já vivemos um tempo em que a sociedade
era assim, as fábricas eram assim e a
vida era esperada que fosse assim. Hoje, tudo
está diferente. Quem se prepara para
este tipo de sociedade do passado terá
grandes dificuldades de sobrevivência
no presente.
O ponto fundamental desse perfil escolar e familiar
está no valor maior que se dá
à vontade pessoal. Não se trata
de bem comum, de melhor escolha ou atitude.
Faz-se de um modo porque interessa a alguém,
seja da escola ou da família. Quando
a vontade pessoal sobrepuja outros valores,
a exigência feita perde a razão
de ser.
É exatamente ai que se ajusta uma educação
democrática ou uma educação
autocrática. Não há uma
defesa da desordem quando se incrimina o excesso
da vontade pessoal. Pergunta-se, na verdade,
se a exigência é necessária
e educativa. Quando algo não é
necessário e é exigido por vontade
pessoal, perde o valor como elemento formador
numa sociedade que requer a conjugação
da liberdade com a responsabilidade e alteridade.
Já estamos, portanto, dentro de uma outra
instância do perfil escolar e familiar:
a necessidade da exigência. Antes, muitas
escolas exigiam filas para entrada e saída
dos educandos. A pergunta é se a fila
é necessária e é educativa.
Ainda existem escolas no México, em pleno
século XXI que um corneteiro toca o clarim
para que os alunos façam a formatura
e entrem na escola. E o México não
parece ser um primor de exercício de
liberdade democrática tendo saído
de um regime onde um partido dominou por décadas
e reúne uma série de ações
contra os indígenas, sobretudo os Chiapas
do sul do país.
A serenidade e o bom senso são muito
mais geradores de equilíbrio e educação
que o estabelecimento de normas e regras que
só servem para irritar as pessoas.
O educador, mesmo o mais austero, pode ficar tranqüilo porque os problemas aparecerão
exigindo a intervenção e o diálogo.
O modo de intervir é que definirá
para que tipo de sociedade a escola ou a família
estará preparando os educandos e os filhos.
Após
uma longa conversa com pais de alunos do Colégio
das Sacramentinas em Senhor do Bonfim –
Bahia, relembrando a ação transformadora
da Irmã Raimunda.